“Querido Carlos. Bom, eu não sei como começar esta carta, você bem sabe que eu nunca me dei bem com começos. Pensando bem, eu nem lembro como começamos, se é que um dia tivemos um começo. Bom Carlos, desde a sua partida eu andei partida. Meio clichê, mas você me conhece, eu sempre usei essas frases de efeito. Minha psicologa mandou te escrever uma carta, contando tudo que eu sinto, ou deixei de senti. Ela disse que mesmo que eu não entregue a ti, pelo menos eu coloquei pra fora o que eu venho tentando esconder. Sim, tentando esconder. Nunca fui boa com mentiras, mas ultimamente foi o que eu andei contando. Falei para todos que eu estava bem, que eu iria seguir em frente numa boa, como se nada tivesse acontecido. Eu acreditava, juro! Mas com o passar dos dias, a sua falta se tornou um peso. E como um fardo, ficou pesado demais para mim. As lágrimas vinham com facilidade, e por incrível que pareça, até o meu vizinho gostoso se chama Carlos. Peguei uma pequena raiva dele, e de todos os outros que me lembravam você. Eu não sei o que anda acontecendo comigo ultimamente, eu nunca fui de ir para baladas, de beber todas e ficar com ressaca no outro dia. Mas parece que, mesmo sendo uma forma desesperada de te esquecer está dando certo. Eu beijei outras bocas para esquecer o doce dos teus lábios, tentei encontrar carinho em outros abraços. Não vou ser criança dizendo que encontrei, pois o teu perfume ainda é o meu preferido. Eu não sei o seu novo endereço, e pensando bem, não quero saber. As feridas causadas por sua causa, me tornaram um ser desconhecido, até para mim, que tinha tanta certeza de quem eu era. E por meio destas palavras sem sentido, estou te deixando ir. Cansei de alimentar esperanças por algo que deixou de existir.”